História da Bíblia – (1)

Noções básicas

Toda uma civilização foi construída sobre esta literatura, sobre este fenômeno editorial, o livro mais traduzido do mundo. O livro mais vendido do mundo. O de maior tiragem. O primeiro livro a ser impresso após a invenção da imprensa por Gutemberg.

Santuário do livro em Jerusalém. Onde estão os pergaminhos do Mar Morto.

Os textos foram inicialmente produzidos pelos hebreus (judeus), povo escolhido por Deus para revelar Seus mistérios ao mundo. Chamamos esta produção de livros, anteriores ao nascimento de Jesus Cristo, de Antigo Testamento, ou vetero-testamentários. Estes primeiros livros são chamados pelos judeus de Tanach e serviram de base espiritual para os textos do cristianismo.

Os textos do Antigo Testamento teriam sido escritos em hebraico e os do Novo Testamento em grego. Ainda assim, a dinâmica, os valores espirituais, os princípios dos textos judaicos e cristãos são os mesmos. Há uma continuidade entre estes textos.

A literatura vetero-testamentária, ou judaica, foi produzida desde o tempo do Êxodo. Esta narrativa ocorreu aproximadamente em 1400 anos antes de Cristo. Porém, os textos teriam tido uma versão final em torno de 900 anos a.C. Documentalmente, no entanto, estariam completos por volta de 620 a.C.

Os textos judaicos, num todo, foram escritos de forma continuada, pelo menos até 400/200 a.C.

Já a parte da bíblia que chamamos neo-testamentária, ou o Novo Testamento, ou cristã, começa a ser escrita em torno do ano 40 da era cristã até o ano 100. É produzida basicamente por judeus que creram que Jesus Cristo era o Messias enviado por Deus e que fora prometido na Tanach.

Temos, assim, na bíblia tal qual a conhecemos hoje, uma produção literária feita ao longo de uns mil anos. Passando pelo Pentateuco, pelos Profetas, a compilação dos Salmos, a literatura sapiencial, e os textos históricos. Até os Evangelhos, as epístolas, e o Apocalipse de João.

• Os textos legais: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio são os livros que compõem o Pentateuco e são conhecidos como textos legais por conterem muitas leis e regras. Em princípio são instruções de condutas para os judeus, mas que serve para a reflexão de padrões espirituais também dos cristãos, na medida em que é uma obra revelada. Os judeus chamam os cinco livros de Torah, que significa Instrução. Algumas vezes Jesus se dirigiu a estes livros como Lei, νόμος (nomos=direito, regra, lei):
“Em tudo, portanto, tratar as pessoas da mesma maneira que você quer que eles lhes tratem, porque esta é a Lei e os Profetas”, Mt 7.12.

• Os textos históricos: Samuel, Juízes, Reis, Crônicas, tratam da história do povo hebreu. A tese central seria a de que Deus é o Senhor da História. Apesar da bíblia estar fora das teses da historiografia secular, a sua interpretação histórica está totalmente fundamentada em Deus e na visão de uma humanidade com uma essência material e também espiritual.

• Os livros proféticos: Textos oriundos da literatura chamada profética, por possuírem nomes de profetas, nem sempre autores da obra integral, mas cujas pessoas são as personagens centrais de tais livros. Os profetas eram homens chamados por Deus como mensageiros, possuíam uma interação mística com o Eterno, íntima, eram porta-vozes da vontade e da voz do Senhor. Estes judeus de vidas singulares que dão seus nomes aos livros viveram mais ou menos entre 800 e 400 a.C.

• Livros sapienciais: São proto-filosóficos, pois afirmam que os seres humanos não podem conhecer tudo, são limitados, que existem mistérios do mundo que mesmo a bíblia não consegue revelar. Como Jó, Provérbios, Eclesiastes.

• Textos apocalípticos: Daniel da bíblia hebraica é apocalíptico por excelência. Narram eventos que irão acontecer no futuro.

• Novo Testamento: Epístolas Paulinas, Evangelhos, Apocalipse de João e demais. São escritos em período posterior aos livros anteriormente citados, e já introduzem a pessoa de Jesus Cristo. O sentido dos livros do Novo Testamento é explicado pelos livros do Velho. Tais como os Evangelhos, livros que falam essencialmente da vida de Jesus, que cristãos interpretam como tendo sido citado nas profecias do Velho Testamento que apontavam para a vinda de um Messias, de um Salvador, um Libertador.

O Novo Testamento foi escrito em grego, a razão histórica para este fato, é que os judeus da época se comunicavam em grego, o idioma mais falado nos domínios do Império Romano. A narrativa possui todo um contexto do pensamento hebraico, mas utiliza o alfabeto e as palavras gregas.

Fragmento do livro de Tiago, em grego.

As versões mais antigas de todos estes textos bíblicos são muito recentes, embora tivessem sido preservados por todo este tempo histórico, não possuíamos os textos originais, apenas cópias. Contudo, dos textos da Antiguidade, a bíblia é um dos que mais possui cópias, ganhando de muitos clássicos antigos.

Os testemunhos históricos da bíblica, os fragmentos do passado, as cópias mais antigas e originais, como todos os documentos e fragmentos de textos do passado, pereciam com o passar do tempo.

Se dermos o exemplo de textos clássicos antigos, como Platão ou Aristóteles, comparativamente com a bíblia, poderíamos dizer que a bíblia tem mair possibilidade de ter sido preservada em sua mensagem, uma vez que, estes clássicos citados, foram produzidos originalmente com mais de mil anos de antecedência dos seus fragmentos mais antigos ainda existentes.

Haviam dois meios pelos quais os antigos guardavam os livros, ou registravam. Tinham os rolos ou os códices, que podiam ser de papiros ou de pergaminhos.

O papiro possuía maior fragilidade de preservação do que o pergaminho. Era uma planta com fibras em seus talos, que após um tratamento especial se tornavam próprios para registrar os desenhos ou escritos. A palavra “papel” vem de “papyros”.

Os pergaminhos eram mais duradouros por serem feitos de peles e possuíam menor custo que os papiros, pois a planta não era muito abundante ou facilmente encontrada.

Em suma, os originais se perderam com o tempo, mas a mensagem foi preservada por copistas, por versões que sobreviveram ao desgaste ou a destruição. Contudo os testamentos históricos permanecem válidos, pelo número abundante de cópias e por achados posteriores à compilação canônica da bíblica, que testificam. Foram diversos papiros encontrados ao longo dos séculos, que podem dar consistência documental histórica suficiente às Escrituras Sagradas. E muito superiormente que muitos clássicos lidos até hoje, como a filosofia grega.

Rolo de Isaías encontrado em Quran, que está exposto no Santuário do Livro, Museu de Jerusalém

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