Gênesis 12.1-3 – A chamada de Deus

 “Ora, o Senhor disse a Abraão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.
E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma benção.
E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.”

(Gênesis 12.1-3)

Abrão nasceu em Ur dos Caldeus, uma uma importante cidade da Antiga Suméria (atual Iraque). Era um centro urbano da Mesopotâmia, na região que mais tarde tornou-se a Babilônia. Esse império dos sumerianos produziu a famosa Epopeia de Gilgamesh, um conquistador que vira deus, narrando também o episódio do dilúvio.  

Nessa passagem, quando o Senhor se dirigiu a Abrão, para lhe revelar essa promessa e lhe dar esta direção, Abrão estava morando na terra de Harã. Ele havia se mudado para este lugar junto com sua esposa, Sarai, seu pai, Terá, e o seu sobrinho, Ló. O pai de Ló tinha morrido, chamava-se Harã; o outro irmão de Abrão chamava-se Naor. A família de Abrão era semita; ou seja, descendentes de Sem, um dos filhos de Noé [essa genealogia pode ser verificada no capítulo 11]. 

A linhagem de Sem foi numerosa, mas Deus escolheu Abrão para essa chamada. Deus sabia que em 24 anos Abrão seria transformado por essa jornada, tornando-se Abraão. O novo homem seria mais íntimo de Deus após o acúmulo de suas experiências. Suas convicções a respeito de Deus estariam mais solidificadas ao longo dos anos e haveria uma mudança em seu interior. 

Existe um tempo para o cumprimento das promessas de Deus em nossas vidas. Enquanto nada acontece, Deus está nos transformando. 

Deus chamou Abrão para ser uma grande nação, mas sua mulher era estéril. Este casal deveria deixar Harã e dirigir-se para uma terra apontada por Deus e ali gerar um filho. O centro do cumprimento era essa criança. O que nos mostra o quanto aparentemente Abrão estava sendo dirigido por uma ilusão completa. No entanto, cada detalhe era um plano de Deus. Porque a obra é de Deus. E estas fragilidades humanas são para Sua Glória, porque o poder de Deus é a garantia exclusiva da vitória. Quanto mais evidente é a limitação humana maior será a atribuição da conquista para Deus. A obediência à voz de Deus é a única responsabilidade e dever humano. 

Abrão mudaria para outra terra, sem experiência, sem condições de ser pai, sem garantias da viagem ser bem sucedida, sem a menor noção dos desafios que estavam pela frente.

  Isso nos ensina o quanto Deus sabe exatamente quem somos e o quanto as nossas debilidades e incapacidades não impedem aquilo que Deus deseja realizar nas nossas vidas. Não precisamos ter exata compreensão do que Deus vai fazer, como vai fazer. Os propósitos de Deus são mais altos. Se olharmos para nós mesmos não daremos um passo. Mas cada passo que avançamos rompemos em fé, confiando em quem fez a promessa.

Abrão não conhecia a relevância de seu casamento com aquela mulher estéril teria nas mãos de Deus, nem o quanto a nação que Deus começaria com o filho da promessa representaria uma importante nação no contexto da História da humanidade. Essa nação seria o relógio do mundo. 

Quando Deus nos chama para realizar algo ou nos aponta uma terra diferente, quando promete um filho, quando fala conosco e nos direciona pode aos olhos humanos ter um significado inexpressível para muitos. Mas Isaque é a demonstração do quão maravilhosa era a promessa na vida de Abrão. Isaque nos diz: Parece pequeno o que Deus quer fazer na nossa vida através daquilo que nos prometeu enquanto nenhum projeto de Deus seja. Aquela criança era parte dos planos de Deus para a vinda de Jesus nessa terra e envolvia a revelação da Palavra de Deus ao mundo.   

Deus estava começando um projeto de salvação para todas as nações através de um casal. Pequenas realizações em nossas vidas podem ser canal de grandes obras nas mãos de Deus. As mudanças em Canaã seriam muito profundas no passar do tempo. 

Canaã foi um dos filhos de Cam. Canaã havia sido amaldiçoado e os seus descendentes povoaram a terra que levou o seu nome. Nessa região o relacionamento com o Deus de Noé não existia mais. E Deus olhou para essa terra e desejou mudar a história do lugar através da ida de Abraão para lá com sua esposa e servos. Mantendo o relacionamento com o Senhor, essa família, ali estabelecida, povoaria o lugar de pessoas conhecedoras do Deus Eterno. Até hoje essa obediência do casal alcança vidas, transformando, curando, restaurando relacionamentos entre Deus e os homens.  

Não podemos desistir de nossas chamadas porque não são nossas, elas são de Deus. Não podemos largar a caminhada por motivações humanas, como incompreensão do que Deus deseja fazer, limitações, incapacidade, imperfeições ou qualquer coisa semelhante. A honra é exclusivamente de Deus e não temos por que olhar para as nossas qualificações. 

Tanto lugar para Deus enviar Abrão e envia para Canaã. Mas Deus sabia o que estava realizando.  

Realizações humanas podem atingir grandes êxitos, há muitas pessoas no mundo empreendedoras e bem-sucedidas. Mas os homens direcionados por Deus conseguem vitórias com pesos eternos de Glória.  Deus deseja ainda levar homens para terras estranhas para mudar histórias de regiões inalcançadas pelo Evangelho. Deus conhece os caminhos para atuar e levar Jesus a ambientes onde a Luz do mundo não brilha. Basta aos vocacionados obedecerem e irem, como fez Abrão.  

A direção de Deus não possui erros logísticos ou estratégicos. A única condição para Deus realizar seus propósitos nas vidas é a fé. A fé produz confiança na Palavra, produz paciência – porque as coisas não acontecem da noite para o dia. Não é um convite para facilidades, humanamente falando. Sem convicção a respeito da Onisciência divina a pessoa não pode mover-se. É Deus que realiza e ele pode não dar detalhes nos seus esclarecimentos. E quando o milagre acontece, a consciência é real sobre os aspectos espirituais e sobrenaturais do agir de Deus. Nada é possível sem vir diretamente do Onipotente, do Altíssimo, do Eterno. O homem é pequeno e cheio de falhas e limitações, mas o Deus que chama é Grande, Poderoso, Onisciente e Fiel. 

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