Jesus morreu mesmo em uma sexta-feira?


Claro que a data correta da morte de Jesus não faz diferença, a nível de salvação. Esse dado é apenas relevante quando alguém nos questiona a respeito do sinal apontado por Jesus nesta passagem:

O Sinal de Jonas

“Então alguns dos fariseus e mestres da lei lhe disseram: “Mestre, queremos ver um sinal miraculoso feito por ti.” Ele respondeu: “Uma geração perversa e adúltera pede um sinal miraculoso! Mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal do profeta Jonas. Pois assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre de um grande peixe, assim o Filho do homem ficará três dias e três noites no coração da terra. Os homens de Nínive se levantarão no juízo com esta geração e a condenarão; pois eles se arrependeram com a pregação de Jonas, e agora está aqui o que é maior do que Jonas.” (Mt 12.38-41)

Sem um exame minucioso esse trecho aparenta uma razoável contradição; seria impossível a Jesus ter cumprido esse sinal, caso ele tivesse morrido realmente na sexta e ressuscitado no Domingo. No entanto, vamos aos detalhes nas narrativas dos Evangelhos:

  • Primeiro ponto:

O calendário lunar dos hebreus era, e ainda é, diferente do calendário gregoriano.  A data da Páscoa possui uma regra ligada ao dia da saída do povo no Egito. De acordo com as instruções bíblicas, a Páscoa (Pessach) deveria ser comemorada em 14 de Nissan, o primeiro mês do calendário judaico (Ex 12.18). Todos os anos os judeus comemoram essa festividade exatamente no dia estipulado por Adonai, o que não corresponde aos dias do ano do nosso calendário. 

Por acaso a preparação da Páscoa judaica em 2022 será realizada numa sexta-feira, dia 15 de Abril do  calendário gregoriano; no calendário judaico eles estarão no dia 14 de Nissan do ano 5782. E o Sábado de Páscoa judaico,15 de Nissan, cairá no Sábado do calendário gregoriano. No entanto, em 2021, a preparação caiu no dia 27 de Março, num sábado; e, o Sábado de Páscoa caiu no domingo.

Outro fator importante no calendário judaico é que o dia inicia com o pôr-do-sol. Porque para os judeus conta o momento em que a luz do dia se vai, então o dia termina. Sendo assim, os dias começam por volta das 18hrs, diferente dos nossos dias que iniciam após a meia-noite.

Essa é uma informação indispensável para compreender o que estava acontecendo na ótica e na cultura judaica, na qual nasceu e viveu Jesus.

  • Segundo ponto, passemos ao “dia da Preparação”:

Conforme os relatos de Lucas 23.52-54 e Marcos 15.42-43, Jesus morreu no dia da preparação, antes do sábado de Páscoa, pois era um feriado no qual não seria possível fazer o sepultamento.

 “E quando já era tarde, porquanto era o dia da preparação, isto é, a véspera de sábado. Chegou José de Arimateia, senador honrado [membro ilustre do Sinédrio], que também esperava o Reino de Deus, apresentou-se corajosamente a Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus.” 

Este dia da preparação era o dia anterior ao sábado de Páscoa. Cumpre relembrar a possibilidade deste dia não ter sido uma sexta-feira do calendário gregoriano, devemos observar o costume do povo hebreu e não o nosso.

  • Terceiro ponto:

O dia “após o sábado”, foi um dia no qual as mulheres foram fazer compras para a unção do corpo de Jesus, conforme o relato de Marcos 16.1-2:

“E, passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo. E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nasceu do sol.”

Nota-se que elas foram comprar aromas no dia após o sábado da Páscoa, mas esse não era o Domingo. Quando elas se dirigiram ao sepulcro, no primeiro dia da semana, foi que descobriram que Jesus já havia ressuscitado. Logo, são dias diferentes. Lembrando que o domingo dos judeus começa no sábado às 18hrs. O que revela ser impossível elas terem ido no Sábado fazer compras, pois era proibido comprar no feriado. Também não teriam conseguido comprar aromas no Domingo tão cedo, logo ao nascer do Sol. João 20.1 ainda aponta que elas chegaram no sepulcro ainda estava escuro:

“E no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro.”

Não é uma contradição dos textos. Simplesmente, analisando essas informações, se houve um dia após o Sábado de Páscoa no qual elas fizeram compras, não poderia ser o domingo. Era um dia normal da semana corrente, pois neste caso o dia 14 de Nissan caiu num dia da semana comum. Isso é verificado com os trechos seguintes:

“E era o dia da preparação, e amanhecia o sábado. E as mulheres, que tinham vindo com ele da Galileia, seguiram também e viram o sepulcro, e como foi posto o seu corpo. E, voltando elas, prepararam especiarias e unguentos; e no sábado repousaram, conforme o mandamento.” (Lc 23.54-56)

Destarte, fica muito claro que havia um dia livre entre o Sábado de Páscoa e o sábado comum da semana, que só poderia ter sido a sexta-feira. O que forçosamente demonstra que o Sábado de Páscoa do ano da morte de Yeshua foi comemorado numa quinta-feira da semana. E o dia da Preparação foi numa quarta-feira.

Tendo nosso Senhor Jesus padecido à hora nona do dia da Preparação (três horas da tarde de 14 de Nissan), foi sepultado ainda antes que este dia acabasse; ou seja, antes do romper do sol. 

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